terça-feira, 31 de março de 2009

O Trem - Por : Socorro Moreira



Acordava, quando ainda era madrugada.
Literalmente, corria para pegar o trem. Ficava lá na estação, curtindo uma madrugada friorenta, nos panos aflanelados.
Repetíamos muito essa aventura, em quase todos os feriados, quando íamos de trem para Ingazeiras (parada depois de Missão Velha), curtirmos uns dias, na fazenda de meus tios.
Depois, já dentro do trem, o dia começava a amanhecer... O tempo de viagem era lento, e ao mesmo tempo rápido... Não parávamos de cantar, comer, beber, paquerar, imaginar, sonhar...
"Sou feliz... No trem que parte para o interiorFeliz... Porque comigo vai o meu amorE o trem só chega quando o dia amanhecer... Que noite linda vamos ter...”
Nas paradas intermediárias, ele nos apressava... Eu tinha muito medo de deixar meus pacotes, ou não conseguir descer com o resto da família. Era realmente, uma hora de aprendizagem: Salve-se quem puder! Cada um por si, e Deus por todos!
As viagens mais longas eram enjoativas... Comíamos muita porcaria nas paradas, e também no restaurante do trem. Pra transitar entre as classes, o estômago tinha que estar deveras habilitado.
Engraçado é que, viajávamos com uma toalha enrolada no pescoço, uma lata com farofa de frango caipira, umas laranjas, e um saquinho de sequilhos ou um pão-de-ló perfumado de erva doce... Pronto, a festa estava completa!
No mais... Umas saudades chegando, e outras partindo. Alegrias encomendadas... Surpresas e tristezas inusitadas.
Um dia, eu fui embora do Crato... Quando voltei, a Estação de trem estava desativada. Não apitava, nem marcava as horas... Não vendia bilhetes, nem acolhia os trens... Acabara o sonho azul... Transferiram-no para os ônibus noturnos.
Queixam-se, os que abandonaram o trem...
- O trem nunca nos abandonou.. .De tamanha solidão , parou de fazer fumaça , virou sucata , mas nos aperreia de saudades !

segunda-feira, 30 de março de 2009

E se eu te pegar , no sentido do além ? - Por : Socorro Moreira


E se eu te pegar com os olhos
Trazer-te pra dentro de mim?
Mostro o luminoso e o assombroso
Que a Pandora soltou, e nem vimos.

Ver é diferente de sentir
Vejo e te percebo...
Além do arcoiris.

E se eu te tocar em todas as tuas letras
E com elas compor, uma nova sinfonia ?
E, na hora “h”, descubrir no “g” do teu “x” ,
Que sou o “z” da tua vida?

" Vês "? Meu “cê” é teu ...
Eu "te" aprendi, nos "erres" da minha língua !

No silêncio das águas - Por Socorro Moreira









E as águas de março, no rio desaguaram?
Acomodaram-se no silêncio domingueiro...
Fugiram do estresse de todas as feiras...
Guardou-se para os mares que não vêem.

Nos pequenos comas... Nada parece existir...
Com exceção dos próprios sonhos.

Quando desperto, procuro teus recados...
Uma palavra de mimo, um sorvete no verso...
Mas é tudo indefinido.

Silêncio de uma ponte quebrada é quase mortal...
É um Deus nos acuda... É o que será que será...
É medo do recomeço, sem a estrela principal.

Estou voltando aos poucos
Arqueando as sobrancelhas de novo
Buscando pequenos sinais...
Um pequeno fogo, que aqueça o alimento.

Estou no caminho da fumaça...
E chego assim, naquela casa:
Toc, toc, toc... Tem gente?
A porta range...
A surpresa explode o abraço...
Encontro!
No amor, resgato meu veio...
De águas tépidas e claras!



sexta-feira, 27 de março de 2009

Grávida do amor- Por Socorro Moreira



"Igual estas manhãs em busca de Abril
quando as paineiras se abrem em flores rosa,
um rosa claro quase solferino,
quase todas as folhas desaparecem,
toda planta se encontra grávida,
sem a mesmice da fotosíntese,
eis o momento dela ser outras,
tantas paineiras que o relevo,
se torne a cor de suas flores."

(José do Vale Pinheiro Feitosa)

Grávida do Amor - Por Socorro Moreira

Busco o irrefreado
Que a santa lógica
Impede-me de sentir ...
Sinto esta ausência,
dispensada, adiada,
que busquei preencher,
e ainda busco ...
Dentro , e fora de mim.

Por um instante eu a tenho ...
Por um segundo , a perdi !
Mas eu persigo essa fera,
pois ela habita em mim.

Renasço com a primavera...
Abril ... Tantos maios já vivi ...
Quero as estrelas de junho ...
No balão do tempo infindo.

Águas na minha terra abrem vales ...
Do céu elas caem , se infiltram
Fertilizando sementes
crescentes e atrofiadas ...

"Heavean" ...
Rosa, cigano, tudo rosa ...
"Estão voltando as flores ..."
Sinta esse perfume ...Noite !

quarta-feira, 25 de março de 2009

"Spanish Guitar " - Por Socorro Moreira








Às vezes ela incorpora em mim: doce e ardente Ayloã.
Uma delas foi em Friburgo (RJ), numa festa cigana, ao som dos Gypsy Kings.
Minha saia de retalhos, seda, coloridos, rodou a cigana. Rodou seu colo, cabelos, pernas, ventre e braços. Rodou seus olhos e pescoço... Calou sua boca, e deixou seu coração entregar-se.
Alma cigana, por que me abandonastes? Evoluístes, e estás a tocar harpa com um bando de anjinhos?
Mas ontem voltastes. Descalça, e na ponta dos pés... Despida de todos os véus.. Teus olhos encandeados pela luz da paixão, dançaram, ao som dos ritmos ciganos. Chegou numa completude deslumbrante de Carmen (Rita Hayworth), Mata Hari e Isadora Duncan.
Depois foi acalmada pela música de Astor Piazzolla... Billie Holiday e Louis Armstrong... E a vida ficou cor-de-rosa. Hora de levitar... De fugir, de voar... De encostar a cabeça no travesseiro... Pensar, relaxar, e sonhar.
Olho-me através do espelho... Não me vejo... Encontro teu olhar a procurar-me... Preso na nesga que entrega a minha chegada.
Meu corpo é teu... Meus movimentos ensaiam a linguagem do amor... Neles, te prendo... E num enlace de um bolero, colamos nossos sentimentos e gestos... E a música nos carrega para um sonho de amor.
Era madrugada, ainda na mira da aurora boreal ... Fechei os olhos e senti a mágica que a vida faz, quando nos vulnerabilizamos aos encontros de almas... Nem precisa chamar, nem sequer desejar... Se estivermos na freqüência mais alta, na mais sutil das energias, a outra chega, e invade a nossa madrugada!
Estou solta... Renasci!


What A Difference A Day Makes
Renée Olstead

What a difference a day makes
Twenty-four little hours
Brought the sun and the flowers
Where there used to be rain
My yesterday was blue, dear
Today I'm a part of you, dear
My lonely nights are through, dear
Since you said you were mine
What a difference a day makes
There's a rainbow before me
Skies above can't be stormy
Since that moment of bliss, that thrilling kiss
It's heaven when you find romance on your menu
What a difference a day made
And the difference is you

segunda-feira, 23 de março de 2009

Coqueiro Velho - Por: Socorro Moreira


Hoje eu vi... Sem poda, sem vida nova.
Lembrei a canção que o Orlando e o Nelson gravaram. Uni-me ao compositor, e percebi a dor das folhas secas, abatidas pelo vento, envergadas por falta de viço e de vida.
Apenas lá... Ainda lá, esperando ser cortadas.
É como uma rosa seca, escondida nos livros do passado. .. Perdeu o cheiro, mas sabe contar histórias.
É como amores fenecidos, ainda misturados , a tantas coisas vivas.
Amores findos merecem o respeito de ser reintegrados ao útero de uma terra viva.
Que tudo se transforme em pó: as velhas palmeiras, pessoas, coisas... Que possam estrumar novos sentimentos, recriar-se!
Doeram-me aquelas palmas acanhadas e secas, sem o carinho e a dança do vento. Combinam com o final do dia, entre a rosa e a grafite.
A natureza na ausência do sol enluta-se... A lua, eterna viúva, numa fase de alegria, chega com o seu bando... Bando que pisca , faísca, e assumem seus postos, na festa da boemia.
Choram as flores, seus orvalhos... Nuvens também se dispersam ou se condensam, quando finda o dia.
O tempo esfria. Troco meu costume, e na flanela me aconchego, como num corpo do amante.

Hoje é dia de São José. A procissão de velas não se apaga na chuva... Nem a fé cristã!
Corpos secos, roupas brancas, marfim... Como os velhos coqueiros, que agora vejo... Vestidos no terreiro, com a roupa do fim!

Por Socorro Moreira
Crato(ce0, 20 de março de 2009.



domingo, 22 de março de 2009

Janela da serra -Por Socorro Moreira








Noite de chuva. Estou perto dos coqueiros e das carnaúbas. Chove no telhado, sinfonia divina!Clarões esclarecendo, e iluminando um momento mágico. Sinto medo, destarte!
Lembro a minha mãe. Ela falava-me das tempestades e trovoadas, na fazenda do Seu pai, nas brenhas do Piauí.
Árvores altas atraem raios, dizia-me! E eu aconchegava-me naquele colo, me enredava nos lençóis com cheiro de alfazema misturado com xixi.
Rezávamos no mental para o nosso anjo de guarda.... Oração que aprendêramos no primeiro balbuciar de palavras.
Minha avó acendia velas e candeeiros, murmurava o rosário da Conceição, e cobria com panos de seda, os espelhos da casa. Eu perguntava-lhe de forma velada, mas corajosa:
As torres da Igreja teem pára-raios?
Mas, e no mato ?
Quem protege o caipira de morrer esturricado?
-Quem morre assim, morre pretim... Só a alma fica branca !

Volto para o dia de hoje.
Chove, e o medo foi embora.
Só tenho medo das loucuras que o meu coração sente, mas sei controlá-las , mesmo remotamente.
A paixão é cega, e descabela.
Deixa carecas, homens e mulheres.
O enamoramento é alfa, beta, Romeo...

Eu sei que és vivo. Isso me deixa perto.
Eu sei que és lotado. Isso me deixa calma.
Boto um sorriso bem vestido, e penduro nos meus lábios...
Nada falso!
Sorriso de gente apaixonado é enrubescido da melhor de todas as verdades, mesmo com fórum de ilusão.

A chuva agora é mansa. Estou terna de noite linda. Estou cheia de amor bem-estar.
E a natureza celebra comigo, a vida!
Na madrugada estarei em teus sonhos. Por favor, durma logo... Quero entrar sem barulho , pela janela da serra.
Voando como um colibri voa, e pousa, cobrando a pira do enlace.
Quando se fartam , trazem no bico o mel da flor ; trazem nas penas o cheiro do amor.
Cheiro de mato , malva, alecrim...

Preciso incensar a vida ...
O amor sempre chega, nas horas mais imprevistas!
Espero você, nas abertas janelas da serra.

Cria Minha - Novo Cd de Pachelly Jamacaru- Por: Socorro Moreira



Músicas que compõem um CD são telas prontas de sentimentos, querendo preferências, escolhas, encontros... A galeria que o Pachelly apresenta...É arte, em partes!

Adotei de cara, “Nuvens de Algodão” ( Pachelly e Carlos Nóbrega).

Nuvens quentes
com sementes...
Pesadas intenções .
Meu sonho acordado,
Tocado por tuas mãos .
Meu amor é de miçanga ,
de fantasia, latão...
Só quer ser na tua vida,
uma nuvem de algodão!

Escolhi “Xotezazeando” ( Pachelly e Edésio Batista) para dançar pelos caminhos, corredores, e salões...

”A Manga” ( Pachelly e Everardo Norões) é a canção do meu gosto. Tem a insulina da vida. Fala nos jardins - pomares, e quase descamba para uma ciranda, na Ilha .

“ Paralelas” – ( Pachelly e Dandinha Vilar )
Amores que não se encontram, nem se perdem. Como uns dos nossos.
Dandinha Vilar sabe mesmo fazer poesia. Sua obra aflora como rosa, como prosa... Ela é cria do Lameiro. Seriguela madura. Poesia na boca da gente...

“A Verdade e a Mentira” (Pachelly e Patativa do Assaré) ... Filosofia dualística!
A verdade é frutiqueira, perseguidora, prepotente, e às vezes invisível...
Enquanto tudo fica quente, a verdade fica fria.

“O sermão” (Pachelly e Zé Flávio ) do Vieira.
Milton também o cantaria
Dom Hélder o rezaria
E a gente, depois de ouvi-lo,
Convertido viveria.
Negociar com a morte...
Precisa provar,
que a vida é valiosa!

“Pedras de Rio”... (Pachelly Jamacaru)
Banhar o nu
Deixar o sujo, longe de lá.
Fascinam-me os rios profundos
Mas só encaro rios rasos...
Molho os pés, e salvo a alma!

“Outros Maios” (Pachelly e Abidoral Jamacaru)
Outros... Todos os meses
Outras festas de S.José
Outros Natais
Muitos encontros na Aurora
Se agora não é hora ...
Amanhã nunca será !

“Sinais Sutis” -(Pachelly Jamacaru)
Melodia deliciosa!
Sinais são alarmes...
Em se tratando de amor,
a gente atravessa no vermelho, e ama no verde!
Pachelly, nesta composição, veste-se de Cupido... Literalmente!

“Sagrado Coração” – (Pachelly Jamacaru)
Cantiga das caatingas.
Mato brejeiro... Seu cheiro é menina!
Lampejos de amor, no terreiro...

“O Diário” – (Pachelly Jamacaru)
“Publique Baby, o diário desse amor...”.

O mal amado por si, não tem a compreensão amorosa.
Lutemos por uma guerra justa: O ser feliz com amor!

“Anjo errante” –( Pachelly e João Nicodemos)
Uau!
Um Rap, um Blue...
O moderno tirando do passado,
“O índico blue”.
Anjo errante... Protótipo de toda gente.
É o encontrar-se no futuro!

“A Mocidade” – (Pachelly e Abidoral Jamacaru)

Tudo... Pouco tempo tem
O pensar... Muito tempo fica
O amor... Em todo tempo há!

“Limite” – (Pachelly e Luiz carlos Salatiel)

Vestiu roupa nova, e ficou deslumbrante!

O Tempo foi deixando Pachelly mais belo!
Viajei, no piano do Dihelson... Vibrei com os arranjos, e o belíssimo desempenho de todos os músicos : Dihelson , João Neto , Demontier , Saul Brito , Di Freitas , Hugo Linard , Jairo Starkei ,Aminadab ... Todos feras !

Vou escutá-lo outras vezes. Vou ouvi-lo sempre:
“Cria Minha ” - Parabéns, Pachelly Jamacaru !

Amores Clandestinos, na sessão das 4, no Cine Cassino - Por:Socorro Moreira

(Foto de Pachelly Jamacaru)


O filme “Amores Clandestinos” bombeou, nos anos 60. Vinha bem a calhar, dentro do contexto da época.
Depois de comprar o ingresso, passar pelo porteiro, delegado de menor, entrava na penumbra da sala, e esperávamos o apagado de todas as luzes.
O único que conhecia todos os segredos ocultos era o Lanterninha. Focava cadeiras vazias, e focava por “descuido” aquelas ocupadas pelos casais, justo, os que fugiam da luz... Dos olhos da família, do preconceito social, e da própria timidez.
Tinham naturezas diversas, posto o dito: amores impossíveis, amores nascentes e crescentes...Amores dos amasses ( puro cheiro, puro sarro)...Amores tímidos, ingênuos e trêmulos ; amores despudorados, explícitos na “safadeza” do poder hormonal...Todos eram instigados , pela cumplicidade de um escuro técnico .
Muitas “pernas gordinhas”, (como a canção do Tiago Araripe), molhadas, sedosas, balançavam pés nervosos. Beijos de língua, de pescoço, de outras partes, outros pedaços do corpo... Como mãos, e bochecha do rosto!
Enlevada no enredo do filme, desligava-me da terra. , mas perdia meu olhar, muitas vezes, na doce tensão da espera.
Um dia, ele chegou, e sentou-se numa fila adiante de mim. Encostou sua cabeça numa peruca canecalon, loura com a da Marilyn... Meus olhos desviados da tela ficaram lá, pregados e chorosos, naquele bandô total, que recebia afagos, e abraços.
Quando a fita anunciou o “THE END”, sorrateiramente mudei de lugar, e aproximei-me mais um pouquinho, pra descobrir na saída, se era azul, os olhos daquela diva.. O moço correu apressado, antes do acender das luzes. Enfim tudo claro! Eram dois olhos morenos. Olhos conhecidos, subservientes, corajosos e apaixonados....
Covarde, o meu gato!
Estava lá, a musa de tantos brotos!

Era assim, o cotidiano do maior entretenimento da City.... Divertia, aproximava, e escondia. Transportava os nossos sonhos para o glamour hollydiano. Se não existisse a censura do Bispo, colada no mural do Café Crato, acho que não teria perdido nenhum drama escandaloso, que o cinema ensinava. Mas eu estava lá... Em todos de Marisol. Joselito, Shirley Temple, Walt Disney...
Nunca, em “Amores Clandestinos” – (clássico com Sandra Dee e Troy Donahue – trilha sonora - Summer Place... Linda!!!).
Namorei sem pegar na mão... Só no roçar dos braços. Mas não nego a presença do tesão, nas orelhas afogueadas. Namorei com cochichos no pé do ouvido. Com mordidas no pescoço, e balas pepper, zorro, ou anis.
Namorei com os meus ídolos... Puros, românticos, sofredores, heróicos, belos, e gentis.
No Cinema não faltava:
Assovios
Suspiros
Gemidos
Choros... Alguns até convulsivos. (Chorei assim, no filme Irmão Sol e Irmã Lua, e até na Paixão de Cristo).
A vida se harmonizava na sala de projeção.
Tempos sem analistas, psiquiatras...
Tempos de sessão de risos com Jerry Levis, Cantinflas, o Gordo e O Magro, e Zé Trindade.
O Cassino de hoje é um campo de energia obscura. Ficou apenas o escurinho do cinema, na beleza deteriorada.
Perdemos a cortina grená. O lanterna iluminando a paixão dos casais...
Foram-se o misturado dos perfumes, o mascarem dos chicletes Adams, o estouro das bolas do ping pong, na falta do beijo amado.
Era bom, até cochilar de viver, naquele ninho!
Nada mais excitante, aventureiro e libidinoso, do que um encontro clandestino, na sessão das 4, no Cine Cassino.
O Lanterninha que ressuscite essa “Cratíadas”, como já fez Zé do Vale, noutro contexto.

Por Socorro Moreira

Adivinhem quem somos ! - Por Socorro Moreira





































































Adivinhem quem somos !









As Divas do Cinema


Porque é domingo, viajei no cinema antigo... Revi rostos nunca esquecidos, lembrei enredos, guardados na memória.
Fui cinéfila desde criança. Aliás, todos da minha geração, assistíamos tudo que chegava de estréia, nos cinemas do Crato. Meu pai, manualmente, fazia os famosos cartazes, em quadro-negro, faixas, cartolina e nanquim.. Pra completar, colecionava Cinelândia, que acabavam folheadas pelas crianças. Todos os filmes que não consegui assistir naquela época, eu os cato, hoje, um por um.

A Flor que não morreu com Audrey Hepburn

O Bebê de Rosemary com Mia Farrow

Até o último alento com Natalie Wood

A Noviça Rebelde com Julie Andrews

Doutor Jivago com Julie Christie

Confidências à meia noite com Doris Day

Um anjo sobre a terra com Romy Schneider

Casablanca com Ingrid Bergman

Melodia Imortal com Kim Novak

Um raio de luz com Marisol

A Malvada com Bette Davis

Gigi com Leslie Caron

Gilda com Rita Haworth

A Felicidade não se compra com Elizabeth Taylor

Os Girassóis da Rússia com Sofia Loren

Um Homem e uma Mulher com Anouk Aimée

Irma la Douce com Shirley MacLaine

A Condessa Descalça com Ava Gardner

Safári na África com Capucine

Trapézio com Gina Lollobrígida

Dívida de Sangue com Jane Fonda

Uma mulher nota dez teria na época, os olhos de Liz; o talento de Jeanne Moreau; o pescoço de Audrey Hepburm; o charme de Anouk Aimée, a sensualidade de Brigitte Bardot; a boca de Shirley Maclaine; a voz de Doris Day, a boca de Candice Bergman: o sorriso de Romy Schneider e as pernas de Leslie Caron., ou senão, a beleza perfeita da Ava Gardner !

Todas eram divas, estrelas, e a gente colecionavam fotos, num álbum de figurinhas:
Virna Lisi, Mônica Vitti, Catherine Deneuve, Ingrid, Bergman, Vivien Leigh, Janete Leigh, Rita Haworth, Katherine Hepburn, Melina Mercury, Anne Brancroft, Sandra Dee, Débora Kerr, Silvana Mangano, Marilyn Monroe, Liza Minnelli, Anita Ekberg ,Sarita Montiel , Joan Crawford, Florence Marly, Debbie Reynolds, Marlene Dietrich , Simone Signoret, e muitas outras!

Aurora Boreal - Por :Socorro Moreira



Noite úmida. Moita empestada de insetos. Flora verde. Cheiro de mato, terra molhada, copas, paus, espada de ouros... Excalibur!
Cansada das redes. Caindo no seco, e arranhando o corpo de ócio. Espremendo do cérebro o suco das lembranças, e comendo nas beiradas, o presente. Vivendo e revivendo na ponta do lápis. Tudo com muita preguiça: o molho e a massa. Natural e vicioso: coca, café e cigarro. Estou na borda do poço. No fundo do poço é o passado?
Ou o coquetel de todos os tempos?
Futuro é água das nuvens É chuva criada no mar... Alga, alfa!
Sereias aposentadas cantam de lá para cá. E eu escuto nos meus laços, avisos de Iemanjá!
Chego ao terreiro e olho para o céu, todo ponteado de estrelas. Manchinhas luminosas, chuviscosas, num azul fechado, e ao mesmo tempo enluarado. O ar é frio. Pessoas ao longe, pessoas de longe... Meu pensamento e vistas alcançam. Escuto Nana, acompanhada por Wagner Tiso. Quem conhece os dois, pode adivinhar meu estado de espírito: jazista, patético, e essencialmente nostálgico.
Na Vila Alta, alguém toca nesse instante, uma sonata para os pirilampos; meu doutor escritor, pertinho daqui, escreve mais um causo, acontecido em Matozinho, e sorve um chá, como aperitivo; a mulher Morgana, da serra e do pequizeiro, sorri e constrói mais um poema, pingando sensibilidade, em espumas de prata.
Meu poeta domingueiro envia-me por e-mails telepáticos, um engraçado recado:
- Hei mulher
Que fauna te ronda?
Preciso urgente de uma lagartixa sonâmbula
Pra vigiar meu luar,
Que teima em sair daqui...
Os historiadores irmãos, escutam e lêem jornal, e pensam na vida, como bons filósofos... São quase humanos!
Alguém desenha o seu mais novo poema, com temperos de sálvia.
Outro amigo fotografa o amor - a sempre estrela da noite. Mas ele é sideral, é expert em aproveitar as luzes do Universo, com toda propriedade.
O povo do S.José, e do Sanharol, sorri sensatamente dos seus, e dos nossos “causos”...
São casados e abençoados. Felicidade generosa, repassada à humanidade!
Alguns amigos leitores, anônimos, questionaram o silêncio dos meus escritos por esses dias...
Estavam em retiro... Respondo...Tentando melhorar a alma.
Alguém anda devagar pela casa... Enquanto a ferida cicatriza. Só dói quando a gente ri... Diz a mentira!
E o nosso Baudelaire?
Rio ou Paracuru, ou numa incursão imaginária, sobre a chapada da sua infância?
Quem sabe, escutando La Vie em Rose, interpretada pela Calíope, que agora é Mimi.

Moços das águas doces e salgadas... Pra vocês entrego meu kit de carinho:
Abraço, beijo, e olhar!
Sem mais, assino iluminada por lampiões de saudades.

Socorro Moreira

PS
De quebra uma receita testada com os recursos da roça, mas... Deliciosa!

Bacalhau Caipira

750 gramas de bacalhau desalgado e desfiado
1 coco madurado (ralado e espremido o leite, num paninho limpo).
2 tomates, 1 pimentão, pimenta de cheiro e malaguetas, cebola... (picados)
Cheiro verde a gosto
Azeite de oliva ou de coco babaçu
Umas colheradas de nata de leite.


Método

Depois de desfiado o bacalhau, e obtido o suco do coco, preparar o refogado.
Azeite quente, ingredientes picados... Deixar apurar. Afogar bacalhau, acrescentar o leite, a nata, deixar ferver, e absorver os temperos.

Servir com cuscuz no café da manhã; com arroz ou macarrão no almoço.
Fazer uma omelete das sobras, e servir no jantar com tapioca.

Passar 6 meses sem repetir o cardápio, até sentir saudades...
Bom apetite!




Por :Socorro Moreira






terça-feira, 17 de março de 2009

No Espelho do Tempo - Por: Socorro Moreira



Alguns me perguntam nas entrelinhas: por que você separou-se do marido, nos idos de 1975?Respondo sempre, com objetiva naturalidade: Gente, porque eu queria namorar todas as pessoas amáveis, e mulher casada só pode ter olhos para o seu marido... (e ainda hoje , penso isso).
Namorar não significa fazer sexo... Se bem que, também significa!
Namorar é andar de mãos dadas, ficarem horas pendurados no telefone, rindo e falando bobagens.... Ir ao cinema, dançar de rosto colado, trocar poemas, bilhetes, fazer coisas, em parceria... Enfim!
Namorar é pensar que está namorando... E pronto ! Mesmo que o namoro seja irreal , unilateral ...Mesmo que seja indefinido... É romance ou amizade?
- Tanto faz!
Por essas pequenas emoções, de certa forma, existencialmente vitais, corri riscos, paguei vultosos preços... Tudo por um par a de asas, que me levassem, onde moram os meus desejos.
Descontando a minha insensatez juvenil, simplesmente, peguei o beco da vida!
Igual a todos os que não ousaram...
Igual àqueles que nunca precisaram sair do caminho do meio...
Igual àqueles enfileirados e disciplinados...
Fui triste, fui só, e fui... Estúpida e maravilhosamente feliz !
Recife, primeira estação. Lá, busquei o Cais de Santa Rita... Não, como o buscam as doidivanas... Mas, como o buscam as santas, e ligeiramente profanas. Santos sonhos, com gosto de todas as culpas!
Fiz dois anos de terapia pra soltar meu primeiro “pôrra”!
Depois foi ficando pô... Até ficar , só no “p” da vida...
Dois anos de terapia pra ficar bem com aquilo que sou, e como vou ficando...
- Consegui!
Agora, como pecadora remida, uso créditos, solto meus pós de artifícios. Salpico afetos pelo reino da memória... E o subproduto, eu reciclo! Posto aqui, nesta rádio imaginária, que às vezes, se chama Blog!
Com margaridas e girassóis nos cabelos, talos de lírios na boca, eu revivo, em boas companhias, minhas incursões e excursões amorosas.
Eu tenho uma prima que conhece os meus “causos”... (Combinamos um dia, que ela os publicaria, depois da minha morte. Por via das dúvidas, resolvi antecipar o ato, e não a sorte!)... Os bem sucedidos, os engraçados, e os “sórdidos”. Vou posta-los na seqüência. Será meu café presente, com aromas do passado.
Estou em 1975. Quem quiser fazer regressão no tempo... É bem-vindo!
Estou no auge da minha performance feminina.
Meu nome é Dora, e a partir de agora, eu tenho apenas 23 aninhos !
Por Socorro Moreira

segunda-feira, 16 de março de 2009

Surrealismo - Por Socorro Moreira



Depois daquela dor
Não brotou nova dor
Parece brincadeira de mau gosto
Toda mágoa de amor...

O amor quando descobre a nossa fortaleza, mendiga atenção... Vira pedinte de Igreja , toca viola , faz repente, carrega um fardo na mão...

Às vezes me pego contabilizando tristezas e alegrias... Uma conta sem precisão matemática... Teria que me apoderar da física, da química, e de todas as artes e ciências... Incluindo as esotéricas...
Alegria sincera, não tem explicação.
É sorvete na mão da menina... É bola no pé do guri... É cajá no Rio de Janeiro...
É pequi, no meu norte brasileiro.
É chuva no pé de mandacaru, e uma florzinha de lá, brotando fagueira.
O clima parou de brigar de chuva e sol.
Ficou no tempo nublado, das calçadas molhadas, e ensombradas pelas acácias.

Estou indo ao Rio
Estou chegando a Fortaleza
Estou de passagem pelo Granjeiro...
E ainda espio as Guaribas.

Estou em paus,
E com todos os outros naipes...
Procuro a sorte,
e guardo na manga um ás, e uns ais...
As malas soltas das poeiras pedem-me um pó de um lugar qualquer...
Nem que seja do passado... Friburgo ou Macaé.

Dora morreu... Sofreu uma paulada de sonhos,, e fugiu com o aviador da saudade. Telefonaram do Amazonas... Estão iludidos com as garças e encantados com as vitórias-régias... Estão aquáticos!

Iara ficou muda e cega...
Nem gelada, nem quente... Um chá constante!
Um anti-gripante!
Desistiu de gente...

Lua ,
com a chuva ficou tênue
Não ofusca a visão
Não embaça nossas lentes
É latente
É pra depois do futuro

Lírica lis
Flor-de-lis...
Diz-me?
Cadê Zé, Maria e João?

Entre tintos e tintas ... Um brinde ! - Por : Socorro Moreira




Depois das luzes de néon , derretidas no rio,
eu ri das minhas grandes tolices.
Um pedaço do meu filme ,
em lâminas se aprontam ,
num prato de porcelana.
Parecem fotos , mas teem sentido de vida.
Teem um cheiro, teem o soma...
Teem uma data , uma base ...
teem um gosto de passado ...
Tomate, no calor do abraço
E esse presente que eu não entendo ,
e fico querendo alcançar ,
no canto de um esquecimento ?

Vem...
Se brincar sério...
Fica possível
Vem !
Aceito o desafio .

É gente de Paris ?
Vamos brindar com drambuie...
Vamos nos lombrar , nos tintos e carmins ...

Vamos aqui ... Vamos ali...
Vamos fugir de um dia,
e sair poetando ,
como criança ou gente grande,
nos quintais dos nossos sonhos.

domingo, 15 de março de 2009

Cidade cortada de pontes...Rios emendando sonhos .... POR: Socorro Moreira





Cidade cortada de pontes... Rios emendando sonhos....



Os dias da Infância são corridos, e as noites custam um sono profundo. Os tempos nos transformam numa incandescente festa... De repente, nascem seios, nascem pelos, e já ficamos a contar estrelas... A vê-las, significativamente.


Depois é a lua, onde nos miramos... É no sol que nos achamos... Achamos cor, energia, e até o amor. Fogo solar... Queima, mas não esconde o poder da musa... Queima, queixa, e deixa. Acho que o tempo inesquecível tem que ser dito... Sim!


Semana passada estive no Recife. Pensei chegar, e ficar... Foi mais curto do que desejei... Mas valeu!


Deixei um pedaço de mim naquele lugar. Nunca voltei pra buscar... Era um pedaço bonito... E o Recife bem que o merecia; era um pedaço tristonho... Entreguei-o às águas dos rios... Transmutaram-se... Ficou um sonho... Um tempo que nem chega a ser passado... Ficou um conto!Nem de fadas, nem de Esopo, nem de Machado, nem de Clarice... Ficou um conto Mariana... Que fala de amigos!


Recife (PE), 1975.


Rodoviária, no Bairro S.José.


Salta uma mulher de uns 23 anos. De malas e cuias, e 3 filhos nas mãos. Perece mais, cena de novela mexicana. Vontade de viver, e um emprego debaixo do braço... Será fácil?


"Viver não é fácil não... Pergunte ao meu coração...”


Encontrou conhecidos, e por tabela, outros conhecidos achou... Combinou um encontro... Naquela tarde, e naquela noite... Ainda!


Driver do Derby... (Um brinde ao momento: gim-tônica, calandre, alerte limão, halls, “Only Yesterday” -The Carpenters ... Sons, cheiros... Tudo mágico... Refrescante e encantante... Noite com olhares, sorrisos reticentes, beijos... Quase soltos ,quase loucos, quase dados de mãos beijadas. Era um início... E um fim) !


Vida de turista... Uma semana, uns meses, uns anos... E depois de todos os anos, lembranças doces, amenas.


Talude, Beer House, sorvete no Free Sabor ou Z’ecas , Casa D’Itália, Suape, Maria Farinha, Zoológico, Agulha frita no Samburá de Olinda... Comida Chinesa em B. Viagem... Água de coco, na Piedade.


Vejo o Paço da Alfândega, a Rua da Aurora, onde existia o Buraco de Otília... Vejo a Real da Torre, onde dormi maquiada , de salto alto ,meias de seda, esperando a buzina de um carro...


Sexta era dia de matar a saudade; sábado , programa gustativo...domingo era dia de mar...E mar era o seu olhar.Mar caribenho ... Azul-piscina!Barba perfumada, e inconfundivelmente, bem tratada. Tinha charme, dizia as coisas no tom mais baixo, e sensual... Momentos de contenção do desejo; momentos de explosão do encanto... Momentos de pura e clara amizade... Momentos de desencontros, e desvios do interesse.


Com aquela criatura aprendi novas perguntas, e novas respostas... Aprendi a passar tempo, nas minhas Recreativas. Éramos amigos!


Passaram-se 30 anos.


Você é a minha saudade feliz!


Recife...

Acho o amor em cada rio.

Acho o rio, em seu mar ...

Acho o Fantástico , que me doía...

Acho a toca, onde a gente se encontra...

Uma toca oca...

Bombeada por um sentimento único...

Que o tempo respeita...

Não gasta, nem subtrai...

É sempre novo!






P.S.Vamos nos reencontrar , sexta-feira da Paixão ?


quinta-feira, 12 de março de 2009

Inauguração do Carrefour- Por Socorro Moreira - Foto Dihelson Mendonça



Corri. Nunca vira .Nunca chegara, mas chegou!
Carrefour!
Tudo mega. Tudo muito. Tudo por menos um pouco...
Entrei, e enchi o carro de pequenas coisas.
Tomates secos... Adoro! Nem verdes, nem fritos. E a fila? E aquele povo, comprando pra descartar... Comprando pra ser feliz! Alegria , alegria... Manjar do céu, caindo em cada carro... Comprado!Todo mundo parecia recém-casados, fazendo a primeira feira de uma nova vida. Tudo um pouco mais, por um pouco menos... Bacalhau, camarão, e uns potes de geléia, palmito, figos... Pronto, e era só o que me faltava... Aquela fila!
E os meus saltos, meu cansaço?
Um moço de olhos verdes comprara seu churrasco. Carne vermelha... Muita carne! Bermuda cansada. Cabelos ralos, grisalhos.
Deixei lá. Deixei tudo ao Deus dará. Voltei sem o chocolate do Victor. O vinho e o peixe podem esperar mais uns dias. Minha indocilidade não espera nem mais que um minuto... Deixei tudo!
Minha amiga Claude, sorria. Ria com paciência... Levou a sério o momento. Empurrou o carro, no engarrafamento geral. Escolheu com cuidado as cores e os cheiros, de alguns produtos... Mas pra que?
Voltaremos outro dia, calçadas em chinelos japonês, prontas pra encarar outra fila !



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"Use a IRA , em seu favor " - Escreva uma carta de amor !- Por: Socorro Moreira


Meu bem,


Depois de 25 anos escrevendo memorandos, e em “oitavados”, especializei-me em listas de Supermercados:

- queijo branco

- pão integral, frutas, azeite e uma garrafa de vinho.

Casamento fora do papel, merece carta do amor pensado, escrito, perfumado, e manchado de batom.

(Amassei. Não gostei...)


Vou tentar novamente:


Meu amor,



A noite também chegou por aqui. Já me fez cumprir todos os rituais, antes de dormir... Só falta uma espiada na janela, e fechá-la seguramente, pra que ela não me rapte de ti.

Li alguns textos no blog, deletei e-mails, reencaminhei alguns, abri Windows sucessivos, restaurei artigos, que vi na lixeira. Na falta do fogo para queimá-los, salvei-os!

Procurei-te nos sites de músicas, e Diana Krall deu-me teu recado: Fly Me To The Moon. Depois foi o Chico, que pegou pesado, cantando "Vitrines”... E o Vinícius, que também postou um poema: "Conjugação da Ausente".

Pesquisei sonetos de J.G.de Araújo Jorge... Achei-os melosos demais, e fiz umas trocas... Edu Lôbo com Cacaso, na “Toada”, e com Torquato Neto , no "Pra dizer adeus”.

Chega de ensaios!

Finalizo os prefixos musicais com a música “Amado”, por Wanessa da Mata.

Enfim, agora estamos a sós. Eu e pensamento. Pensamento e papel, em conflito ardente. Sem fundo musical. Silêncio total, para ouvir o coração bater, como os tambores do Salgueiro.

Entro na frequência do teu esquecimento, e te acordo... É hora!

Vem cá... O mar veio para cá. Ele acende os mistérios da serra, quando chega a madrugada. Vamos catá-los um por um, desvendá-los. .. Estou farta de segredos invioláveis.

Lembra do começo, que nunca foi?

Lembra do encontro, que esperou sem chegar?

Lembra dos desvios, arrodeios, e esbarrões, nos atropelos dos sentimentos?

O amor chegou mil anos depois! Quase etéreo , atrevido na pureza, racionando carinho... Mas é tão intenso, e tão lindo , que alimenta, mesmo dormindo!

Fui clara?

Fui anônima, ou indiretamente fácil?

Direto é dizer nesse cantinho de papel, em letras tremulas e pequenas, quase indecifráveis: Adoro você!

Um abraço,

ZenIRA





P.. S. “O amor que nos separa é o amor que nos une”.




Toada
Cacaso
Composição: Edu Lobo / Cacaso



Fiz um verso tão bonito


Que carrego na lembrança


Nunca mais eu vi o mundo


Com meus olhos de criança


Quis prender a quem amava


A corrente se quebrou


A esperança que eu guardava


Era pouca e se acabou


Não conheço mar bravio


Que me faça retornar


Não conheço nenhum rio


Que não corra para o mar


Rio abaixo, rio acima


Meu destino dá no mar


Eu que não sou marinheiro


Eu que nem sei navegar








Me To The Moon
Diana Krall
Composição: Bart Howard



Fly Me To The Moon


Fly me to the moon


Let me play amoung the stars


Let me see what spring is like


On jupiter and mars


In other words, hold my hand


In other words, baby kiss me


Fill my heart with song and


Let me sing for ever more


You are all


I long forAll


I worship and adore


In other words, please be true


In other words, I love you


Fill my heart with song and


Let me sing for ever more


You are all I long for


All I worship and adore


In other words, please be true


In other words


In other wordsss,


I love you


Conjugação Da Ausente
Vinicius de Moraes


Foram precisos mais dez anos e oito quilos
Muitas cãs e um princípio de abdômen
(Sem falar na Segunda Grande Guerra,
na descoberta da penicilina e na desagregação do átomo)
Foram precisos dois filhos e sete casas
(Em lugares como São Paulo, Londres, Cascais, lpanema e Hollywood)
Foram precisos três livros de poesia e uma operação de apendicite
Algumas prevaricações e um exequatur
Fora preciso a aquisição de uma consciência política
E de incontáveis garrafas;
fora preciso um desastre de avião
Foram precisas separações, tantas separações
Uma separação...
Tua graça caminha pela casa
Moves-te blindada em abstrações, como um T. Trazes
A cabeça enterrada nos ombros qual escura
Rosa sem haste. És tão profundamente
Que irrelevas as coisas, mesmo do pensamento.
A cadeira é cadeira e o quadro é quadro
Porque te participam. Fora, o jardim
Modesto como tu, murcha em antúrios
A tua ausência. As folhas te outonam, a grama te
Quer. És vegetal, amiga...Amiga! direi baixo o teu nome
Não ao rádio ou ao espelho, mas à porta
Que te emoldura, fatigada, e ao
Corredor que pára
Para te andar, adunca, inutilmente
Rápida. Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
E te amo, te venero, te idolatro
Numa perplexidade de criança.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quarta-feira de cinzas. Um sopro forte , e tudo fica limpo ! - Por : Socorro Moreira





Bateram na porta. Alguém pedindo o jejum... Como em todos os tempos, alguém precisa de um mínimo, sempre!
Quando eu era criança maxixe, feijão verde, milho, quiabo, pequi, macaxeira, jerimum, macaúba, banana, manga, seriguela, cajá, umbu, etc.. Não se vendia , se ofertava!
E a gente retribuía com um pedaço de bacalhau, uma caneca de arroz ou coisas desse tipo (que se comprava nas mercearias).
Hoje acordei com os pecados do mundo - Todos meus !
Em tempos passados , as minhas fantasias amanheciam molhadas. Minhas roupas estão no varal. O que mudou foi a fonte das águas !
Desci pra fazer o almoço e senti vontade de comer apenas frutas. Faço o jejum das palavras, embalo o meu silêncio, e nele me aquieto. O perdão já fez a sua parte. Tudo certo!
E a vida continua no caminho de um fim incerto. Viver de acordo com uma cartilha, só se for a Bíblia!
É bom ficar em casa por uns tempos. As trocas assim mesmo acontecem, e os conflitos também!Hora de recolhimento é sagrada. Poupar energias pra gastá-las com mais versos, na cumplicidade das horas, e na companhia dos afins.
Estou ansiosa pelo resultado do desfile das Escolas cariocas. Tenho uma grande simpatia pela Mangueira, Salgueiro, Portela... Vi na madrugada, os desfiles.
Fico com a paz e alegria do Universo!



Socorro Moreira

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Cega, no invisível - Por Socorro Moreira



"Quem pensa muito não casa ". Quem pensa muito vive cansado. Quem vive o dia, no caminho do sol, tem a esperteza dos mascotes.

Dias chuvosos , nos convidam a permanecer na cama. O apetite é voraz, olhamos menos para o espelho, nos desapaixonamos .

Hoje estou assim ... Desativada da minha energia natural. Caminho pesadamente , entre o térreo e o primeiro andar... Parece que tenho tamancos nos pés. O céu tem cheiro de lavanda ; minha roupa tem cheiro de lama , e perfume do passado.

Escrever , ainda é uma boa saída. Até porque , oferece passagem de ida e de volta , num vai e vem sem limites.
Visito um recanto , que apenas imagino. Busco o concreto imaginável , já que estou diante da cegueira , no invisível ...
Subo no elevador. É o apartamento de um pintor. Respiro terebentina e tintas frescas . Imagino afrescos , e telas espalhadas pelos cantos. O dono está ausente. Viajou com um baú de desenganos , esculpindo pedras no caminho. Rasgando a matéria , como se ela fosse molambo. Deixando nela , o produto do seu pranto. ..
Faço a vistoria , tateando a intuição. Um sofá confortável , mas cheio de marcas; sala íntima com cheiro de " vetiver ";um relógio de pulso atrasado ; canetas e papéis , numa escrivaninha de cedro... Escritos em negrito.Uns esquecidos , e outros amassados.
Falei com seu short , largado na cadeira do quarto. Ele olhou para mim meio intimidado,(Desconfiou que eu não era uma ladra comum... De nada dali , me apossara , a não ser com o olhar , e o resto dos sentidos) e disse-me : ele sempre me deixa assim , quando se cansa de mim.
Meu dono viajou . Ele sempre volta com um sorriso enfadado , e um brilho novo no olhar.
Sai do cenário. Não olhei em volta , nem fui até a janela , descobrir em qual cidade estive. Desprezei a personalidade física de um lugar... De um lugar , provavelmente conhecido.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O amor em todos os tempos - Por: Socorro Moreira



(Atesto para todos os fins, que não sou agnóstica como pensei , durante tantos anos ...
Creio no amor humano e no amor divino, com caráter de infinitude e imortalidade .)
Creio no amor , em todos os seus estágios. Até no amor promíscuo, (professo a minha fé) , sujeito evolutivo , cuja qualidade , transforma-se ao longo das eras , no amor deveras... Universal !

Em 1967 , eu tinha 16 anos , e cursava o segundo ano científico , no Colégio Estadual Wilson Gonçalves. Vieirinha era o nosso professor de Português. Nas aulas de sábado, abria espaço para os "Grêmios Literários ". O despontar do poder de comunicação , através das artes.

Naquela primeira semana, ainda novata, fui escalada por ele, para falar sobre o amor.

Apavorei-me ! Passei a semana toda queimando as pestanas sobre o assunto. Não conseguia achar a forma , nem a expressão correta. Como falar de uma coisa que estava na minha filogenia , mas me era inexplicável , e estranho ?

Abri enciclopédias , e achei textos, com personagens míticos.

Arrisquei ! Colei , no trabalho , a história de Cupido e Psiquê. A explicação sobre o amor Eros , Filos e Ágape...
- Foi inglório... Hoje eu sei ! Nem dez , nem zero ...
Eu precisava viver !
Felizes aqueles que perceberam o amor , nos seus primeiros anos ,com projeções no túnel do tempo.
Eu entrei no túnel da vida, atrevida (mente ), procurando o amor , no escuro do meu tempo.
No fim do túnel ... "Eureka" ! O amor me acompanhara pela vida afora, esteve dentro de mim , naquele tempo , e sempre ! A viagem até achá-lo , apenas desenvolveu a minha capacidade de amar a mim mesma. Por isso acho que o zero mandamento é o amor próprio ! Amar a si mesmo é a forma mais complexa de vivenciar o verbo amar.

Dar, compartilhar !

Merecer, receber !

Amor alegria ...

Amor (com) paixão !

Ontem assisti o filme " O amor nos tempos do cólera "- adaptação do romance de Gabriel Garcia Marquez.

A crítica foi impiedosa :

"Gabriel escreveu com as entranhas, e o filme é apenas um mingauzinho da história ".

O certo é que reli o livro , e vou rever o filme. Os dois me impressionaram muito !

Em 1987, mudei-me do Cariri para Bela-Vista (MS). Recebi pelos Correios , Gabriel G.Marquez, como presente. Na recomedação do remetente - "Foi o melhor romance que eu já li."
Devorei página por página , gulosamente, até o fim.
Vinte e dois anos se passaram. O filme rasgou a cortina do entendimento. Aquele presente , encerrava um recado , que a cegueira das emoções havia bloqueado.
Amor que espera não se divide , mas vive dividido , sem deixar de ser virgem, até o reencontro. Amor inteiro é aquele que buscamos a vida inteira. Os românticos apostam na sua eternidade ; os práticos e apaixonados , sentem como Vinícius , e dizem :" que seja infinito , enquanto dure !
E os amores platônicos ?
E os amores carnais ?
E os amores " ilegais " ?
- Melhor nem tê-los. Mas, como detê-los ?
Matá-los, não vivê-los... é crime inafiançável !
Creio no amor que um dia achei, e de mim se desencontrou pela vida ou pela morte;
Creio no amor dos pares encontrados. Privilegiados , pelos encontros em vida.Tiveram sorte e sabedoria nas escolhas. Amores em construção e transformações. Amores que só acabam , quando a morte os separam !
O amor noutro plano, continua amando . Nos visita quando dele nos lembramos. Chega em forma de borboleta, passarinho , vento, chuva, flor...
O amor que não nos abandona ," mesmo em face do maior encanto" , que resiste ao cotidiano , merece o pódio , ainda nesse plano.
Sejam felizes os que teem a sorte de vivê-lo;
Sejam felizes os que ainda esperam um encontro;
Sejam felizes os que amam , incondicionalmete ;
Sejam felizes os sozinhos... Os que amam à distância , sem cobranças , sem a posse , mas que transpiram amor , por todos os poros.
Sejam felizes todos , no ponto do amor em se encontram !
- Entre todos os sentimentos luminosos , o amor é um so(l) !