terça-feira, 14 de julho de 2009

Madrigal Intercolegial - Anos 60 (O Reencontro).





CONVITE

A Prefeitura da Cidade do Crato, através da Secretaria de Cultura, Esportes e Juventude, sente-se honrada em convidar Vossa Senhoria e família para se fazerem presentes ao Recital do Madrigal Intercolegial do Crato em homenagem ao seu fundador, Monsenhor Francisco de Holanda Montenegro (in memoria) e a sua Maestrina Professora Benadete Cabral .


Dia: 17 de julho de 2009
Local: Teatro municipal
20:00 h

Blue Velvet


Zabelê e você - Por Socorro Moreira


No plano superior
tudo azul.
No pé do azul
tudo vago
tudo cinza claro.

florzinha

mergulhada na folha
No branco da página

Pedra que azula
o pano da minha manga
verde-rosa
energia amorosa

nada como um verso
aveludado ...

solfejos , suspiros
no vento da madrugada.

Egito
Índia
Cariri
Zabelê
Terra

E você !

Pra não dizer que não falei de azul - José do Vale Feitosa



Azul,
Nem céu ou perturbado,
Firmamento e assustado.

Na origem,
Uma linda pedra chamada
Lápis-lázuli.

Nem era isso,
É que as nódoas da roupa,
Se vão com o anil.

E esta tosse obstrutiva,
Cianose por batom,
Cianamida com força vermicida.

Adversário,
Nas lutas amazônicas,
Desfilados bois rubros de sucesso.

Meus sonhos são azuis,
Um japonês hibridou uma rosa azul,
O Egeu é azul.

E este azul é só meu,
É crítico entre o verde e o violeta,
Fui eu quem descobriu este azul.

Feito Colombo,
As Américas,
O gringo no samba,
Um brasileiro no Louvre,
Um papa na África.

Este azul é só meu.
Esteta nos galhos da ibiraobi
Deste cinza no lombo do boi.


Postado por José do Vale Pinheiro Feitosa no Cariricult

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Adélia Prado


Eu te amo, homem, hoje como
toda vida quis e não sabia,
eu que já amava de extremoso amor
o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos
de bordado, onde tem
o desenho cômico de um peixe — os
lábios carnudos como os de uma negra.
Divago, quando o que quero é só dizer
te amo. Teço as curvas, as mistas
e as quebradas, industriosa como abelha,
alegrinha como florinha amarela, desejando
as finuras, violoncelo, violino, menestrel
e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito
pra escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo
o teu coração, o que é, a carne de que é feito,
amo sua matéria, fauna e flora,
seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas
perdidas nas casas que habitamos, os fios
de tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo
pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto:
“Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas
o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não
ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama
fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Te alinho junto das coisas que falam
uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como
o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,
tira de mim o ar desnudo, me faz bonita
de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,
me dá um filho, comida, enche minhas mãos.
Eu te amo, homem, exatamente como amo o que
acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando
os panos, se alargando aquecido, dando
a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,
o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim,
te amo do modo mais natural, vero-romântico,
homem meu, particular homem universal.
Tudo que não é mulher está em ti, maravilha.
Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,
a luz na cabeceira, o abajur de prata;
como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:
com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,
me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles
eu beijo.

O texto acima foi extraído do livro “Poesia Reunida”, Editora Siciliano – São Paulo, 1991, pág.99.

Bilhete da Ousada Donzela - Adélia Prado


Jonathan,
há nazistas desconfiados.
Põe aquela sua camisa que eu detesto
- comprada no Bazar Marrocos -
e venha como se fosse pra consertar meu chuveiro.
Aproveita na terça que meu pai vai com minha mãe
visitar tia Quita no Lajeado.
Se mudarem de idéia, mando novo bilhete.
Venha sem guarda-chuva - mesmo se estiver chovendo -
Não agüento mais tio Emílio que sabe e finge não saber
que te namoro escondido e vive te pondo apelidos.
O que você disse outro dia na festa dos pecuaristas
até hoje soa igual música tocando no meu ouvido:
"Não paro de pensar em você."
Eu também, Natinho, nem um minuto.
Na terça, às duas da tarde,
hora em que se o mundo acabar eu nem vejo.

Com aflição,
Antônia

O Vestido - Adélia Prado




No armário do meu quarto escondo de tempo e traça
meu vestido estampado em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas
à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem a minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.

domingo, 12 de julho de 2009

Os Padres do Sagrada Família - Por: Socorro Moreira


Pe.Francisco Xavier Nierhoff foi o primeiro vigário da Paróquia de S.Vicente Férrer, desmembrada da Penha, em fevereiro de 1943.
Justo nessa época , minha mãe , aos 14 anos ,acabava de chegar no Crato , vinda das brenhas do Piauí , para estudar na casa dos avós.
Depois da família , o primeiro grupo social do seu convívio foi a Igreja. Tornou-se filha de Maria , e escolheu o Pe. Xavier como o seu orientador espiritual.
Pe. Xavier fez o seu casamento, e o meu batizado. Teria sido o meu padrinho de batismo se, na época , fosse permitida ao clero tal responsa.
Quando nasci , em agosto de 1951, O Pe. Xavier já era o "Prefeito" do Seminário da Sagrada Família. Conta a minha mãe ( e eu tenho uma vaga lembrança) , que no dia em que dei os primeiros passos , ela levou-me ao seminário , e soltou-me para que eu fosse ao encontro do Pe.Xavier.
Cresci , enxergando no Pe. Xavier , uma pessoa da minha família. Visitávamos o seu refúgio nas festas de aniversário , e em todas as datas significativas.
Em 1964 ele foi transferido para o Seminário da Sagrada Família em Carpina-Pe. Até lá , visitei-o algumas vezes. De Carpina, foi nomeado Bisbo de Floresta (PE) .
Faleceu em 1988.
Até hoje faz parte da nossa memória afetiva.
Na época em que morou no Crato , trouxe da Alemanha uma irmã , que assumiu a cozinha do Seminário.
-Minha saudosa Dona Hilda.
Ela e a minha mãe se tornaram como irmãs.Todas às segundas-feiras , almoçava com a gente, porque era o dia em que fazia a feira de frutas e legumes do Colégio.
Com essa estreita convivência , conheci todos os padres, e seminaristas do Sagrada Família.
Incrível como a memória do José do Vale foi fiel às discrições.
Nas paralelas , enquanto paroquianos de S.Vicente , convivíamos com o Pe. Frederico , vigário sucessor do Pe.Xavier.Estudei meus primeiros anos ,no educandário , cuja direção dividia com Dona Anilda Arraes e Dona Alda. Muitos da minha geração viveram a mesma história .
Aquele Padre gorducho e bonachão tinha uma vitalidade e energia sem tamanho.Jogava balas pra meninada no recreio, puxava as nossas orelhas, cantava nas missas aos domingos... Famosa, a missa de 9 h , na Igreja de S.Vicente com o Pe. Frederico. Cantorias e sermões, em bons tons !De qualidade empreendedora ,incendiava a festa do padroeiro com quermesses, bingos , procissóes.Ninguém se colocava à margem. Íamos todas as noites prestigiar o evento. Geladeira à querosene . Pó de serra para manter o gelo... Era assim !
A renda da festa era aplicada na melhoria das intalações da igreja , e em obras sociais. O povo achava o dinheiro de volta, porisso ajudava com o maior prazer, sem fanatismo religioso.
Foi autoridade política e religiosa da maior competência .
- O Crato nem pode deixar de reconhecer.
Os dois já se foram.
Os dois permanecem..
Nomes gravados , independente do nosso credo.
A força espiritual fez seu alicerce !

Uma curiosidade sobre a passagem de Dom Xavier , como Bispo de Floresta :

A História não se faz num dia. Os fatos, com o passar do tempo, muitas vezes podem ser melhor esclarecidos.Pensava eu — como muitos florestanos — que o ex-deputado Antônio Cavalcanti Novaes havia sido o primeiro proprietário do Ginásio “Padre Cláudio Novaes”.
verdade, aquele inteligente político não era proprietário do conceituado ginásio, fundado e posto a funcionar na segunda metade da década de 1950.
Deve-se esclarecer que o Ginásio “Padre Cláudio” (este era o seu primitivo nome) não pertencia a uma pessoa física e sim a uma sociedade beneficente, da qual faziam parte diversos personagens, entre os quais o Sr. Antônio Cavalcanti Novaes.
Este foi, não há dúvida, o responsável, o criador, o impulsionador, o fundador do educandário que tanto benefício trouxe aos jovens e à sociedade florestana.
Mas não era seu proprietário.Na condição de político influente, e tendo o irmão Manoel Cavalcanti Novaes como deputado federal pela Bahia, Toinho conseguia do governo as verbas necessárias ao funcionamento do Ginásio, num trabalho que não pode deixar de ser reconhecido pelos florestanos.
Já em pleno funcionamento, e quando os professores dedicavam-se a levar o melhor ensino à juventude florestana, foi acrescentada a palavra NOVAES ao nome do Ginásio.
O primitivo nome sugeria a imparcialidade política.
Assumindo a Diocese de Floresta, o bispo D. Francisco Xavier logo comprou o Ginásio “Padre Cláudio Novaes”.
Iniciava-se, naquele momento, uma nova administração. O número de alunos aumentou, registrando-se a presença de membros da família Ferraz que, até então, mantinham-se distanciados daquele Ginásio.
Era o meu caso.A Diocese de Floresta — segundo proprietário do Ginásio — recebeu um educandário cheio de dívidas trabalhistas e fiscais.
D. Francisco preocupou-se. Buscou soluções. A sua pobre diocese não poderia arcar com todas aquelas desepsas. Precisava de uma saída.Foi mantido contato com autoridades, no Recife. Foi-se à Secretaria da Educação. Parecia não haver solução. Para que aquela escola pudesse continuar funcionando, as dívidas tinham que ser pagas.Um alto funcionário da Secretaria deu então a sugestão: por que não trocam o nome do ginásio?
Fecha-se um e abre-se outro, com um novo nome e livre de todas as dívidas. Era a solução, hoje adotada, abertamente, por diversas empresas, quando atoladas em dívidas.
O bispo, ao ouvir aquela idéia, ficou pensativo. Mas não viu outra saída. Sugestão dada, sugestão acatada. E o “novo” ginásio passou a chamar-se Colégio Diocesano.
Justiça se faça. Esse foi o real motivo que levou D. Francisco Xavier a mudar o nome do Ginásio. Não foi, como quis demonstrar um autor florestano, “quase por inveja, enganando a boa fé do proprietário” que o bispo de Floresta mudou a denominação do Ginásio “Padre Cláudio Novaes”.
Como disse, a História não se faz num dia.

Zé Liberato

P.S. Dona Hilda , irmã de Pe. Xavier , faleceu em Floresta nesse ano de 2009. Em tempo algum perdeu o contato com a minha mãe.
Guardamos essas saudades !

Padre Frederico e a Sagrada Família - Por : José do Vale Pinheiro Feitosa


Este texto é oferecido ao meu amigo Armando Rafael, com quem tenho debates duros até por e-mail. Sei que Armando me toca com suas posições políticas e religiosas, mas sei que também o provoco. E continuamos amigos, por que brigamos por idéias e não como alvos de nossos corpos ou personalidades.

Quando um jovem examina o imponderável futuro, mas já ponderando o seu breve passado; quando um adulto examina seu longo passado e espreita o futuro como limite, consideram além do seu fluxo individual a sustentabilidade de um modo de vida conseguido através de gerações. Só a capacidade de transferir meios, recursos, princípios, conhecimento entre uma geração e outro é capaz de criar civilização.

A decadência é exatamente o esvaziamento desta capacidade.Por isso Padre Frederico, aqui lembrado por Armando é um pouco disso na cultura do Crato.

Imaginem um Alemão do século XX, membro de uma família relativamente abastada, quando a Alemanha já havia passado a grande depressão econômica dos anos 20 e 30 e estava no apogeu construtor de infra-estrutura de Hitler. Para qualquer jovem alemão daquela época era difícil estimar o desastre de oito anos depois.

Pois o padre Frederico abandona a Alemanha e vai para a aridez do sertão Piauiense e Cearense.

Já sabia disso por minha avó, uma sertaneja da Aiuaba que tinha uma foto na sala da frente da casa dela em memória daquele jovem padre.

Lembro dele, um homem imenso para meu tamanho, numa moto potente visitando minha casa. Lembro do dinamismo comparado dele em relação a outros vigários.

Considere que Padre Frederico não era do centro do poder diocesano, não dirigia nenhuma das grandes instituições da época (Diocesano, Imprensa, Rádio, Seminário etc.).Era um padre de uma ordem, não era secular.

Aliás, o Armando nos deve um belo estudo comparado entre o Seminário São José e o Sagrada Família.

Tenho uma hipótese: o primeiro era mais de elite, preparava mais os quadros dirigentes do futuro e o segundo era mais includente, trazia gente de um estrato sócio-econômico que tentava a mobilidade social.

Explico a hipótese, o seminário São José tinha uma rede de paróquias da região capaz de financiar bolsas para jovens de talento, enquanto o Sagrada Família não tinha.

Então o perfil desbravador, empreendedor e dinâmico do Padre Frederico tem muito da personalidade dele e, talvez, desta circunstância.

A primeira capela do Bairro da Batateira foi dirigida por Padre Antonio, um Alemão de voz mansa, doce nas palavras e na fé religiosa, embora me parecesse um tanto angustiado pelo tempo histórico de sua origem.Aliás, um dos personagens mais espetacular que conheci foi o Padre Rodolfo, um homem alto e magro, um varapau como nós chamávamos aquele biotipo. Padre Rodolfo era professor de história, contaram-me que um dia durante uma prova os alunos tentaram pescar entre si e ele, ao perceber, se revoltou e deu nota máxima a todos.

Este padre era de uma simplicidade infantil, falava alto, agitado, um tanto nervoso. Gostava muito de conversar comigo e contou-me ter sido prisioneiro de guerra na Rússia, ficando muitos anos até ser libertado.

E padre Francisco, volumoso, bonachão, cuidando do apiário, da pocilga e da horti-fruti do seminário. Era o agricultor da ordem. Brincalhão, os alunos de então, como o famoso China dos tempos de rum com coca-cola aí do Crato, aqui do meu lado lembra:

Padre Francisco durante a missa, normalmente num dos altares laterais da capela, após enxugar as mãos durante a liturgia jogava, de propósito, o pano na cabeça dos meninos. Rompia a seriedade da instituição, recuperando a simplicidade infantil do cristianismo primitivo, pois ajudar naquelas missas, iam as crianças recém-chegadas ao seminário.

E padre Xavier. Duro, sistemático, implacável. Um grande ser humano. Era o prefeito do Seminário, tinha o gosto do mundo. Não se envaidecia com a meritrocracia. Foi um dos mais entendidos em Português no ensino da região.

Padre Xavier foi professor da Faculdade de Filosofia e após o fechamento do seminário, recolheu-se à administração de um bispado, em Floresta, Pernambuco. Não cedeu à vaidade acadêmica, seguiu a sua missão de vida. No caso a missão da ordem religiosa.


Postado por José do Vale Pinheiro Feitosa no Cariricult

Mensagem para Claude, Socorro Moreira e Edilma.

Acima: Claude Bloc


Acima: Socorro Moreira

Acima: Edilma Saraiva

Nas últimas semanas eu tenho observado o comportamento da humanidade mais de perto. O discurso e a prática. Aqueles que falam em Deus, mas praticam o mal. Aqueles que se aproveitam das pessoas, quer por meio da bajulação, ou de uma circunstância, para revelar-se quem realmente são. É nas horas mais únicas, diferentes do dia-a-dia que conhecemos o verdadeiro caráter das pessoas. Estou tão farto de gente ruim, que penso que as pessoas boas devem ser preservadas. E penso até que as pessoas mesmo não estando em cem por cento de concordância, devem se unir para que se combata o inimigo em comum.

Na verdade, temos muitos inimigos, sendo muitos, os preconceitos, a ganância, as vaidades, a impureza de coração, a falta de humildade, o MÊDO, o não assumir-se, e a falta de outras virtudes. Esses, eu considero os maiores inimigos do homem, muito superiores às diferenças raciais e outras, porque é do mal interior que geralm-se os males exteriores, como o ódio, que é o principal sentimento nocivo à humanidade.

Há poucas semanas, eu publiquei algumas fotos no Blog do Crato, colhidas numa bela tarde de Junho, quando Eu, Claude Bloc, Ninha, Socorro Moreira e Edilma Saraiva passamos horas de pleno prazer, alegria, e muita leveza, após uma noite linda de confraternizações. Desta tarde, colhi algumas fotos das mesmas, como quem colhia flores, que ao ver depois em casa, na tela, gostei bastante do caráter artístico, pelo uso de uma lente grande angular, e pelos ângulos inusitados, pela proximidade, como a querer entrar dentro delas e revelar as alegrias e a alma. Fiquei muito feliz e orgulhoso pelo trabalho, escolhi algumas que julguei as melhores, e publiquei no Blog do Crato como objeto artístico e um marco do que foi a tarde.

Qual não foi a minha surprêsa, quando soube que a publicação destas causou revolta nas minhas queridas amigas, que até hoje guardam um certo rancor de mim por isto. A situação já foi exaustivamente debatida, bem como os reais desígnios da arte, inclusive a fotográfica nos Blogs do Cariri, e o resultado é que tudo ficou uma coisa não resolvida e muito chata.

Tenho conversado via e-mail com a Calude Bloc, e da sua parte, disse-me que este episódio já passou, e que "bola pra frente". Entretanto, já não sinto o mesmo tipo de atitude nem comportamento amistoso por parte da Socorro Moreira, nem da Edilma Saraiva, que continuam com um tratamento frio e distante.

Pelo fato de eu ter mantido por elas desde que as conheci, um permanente carinho e reconhecimento como algumas das melhores pessoas que já conheci na vida, estranhou-me muito esse fato, que poderia ter sido conversado e tratado na pessoalidade de uma mesa de conversas e definitivamente resolvido. Infelizmente, até agora, não foi. E sendo que eu prezo a amizade mais do que qualquer outra coisa, e não vendo motivos suficientes para esse alvoroço e rancor todo, essa "revolta", esse clima de constrangimento, quero aqui, de público, convidá-las para o diálogo, como amigo que sempre fui delas, e tentar dar o primeiro passo em direção à solução definitiva desta situação, e a volta plena da amizade, tão magoada por aquele infeliz episódio. Como sempre gosto de expressar, em uma contenda, é possível que em muitos casos, todos os lados tenham razão nos seus argumentos, e assim como eu defendo que não houve qualquer intenção de denegrir a imagem das minhas queridas amigas, defendo também o sagrado direito delas da indignação pelo que foi exposto, e deste modo, se este é o caso, sem qualquer questionamento, venho a pedir-lhes minhas desculpas se a exposição das fotos causou um constrangimento para elas. Com certeza, essa não era a intenção.

Como a história demonstra, mesmo os inimigos podem ir à mesa de diálogo, e nesse caso, nem inimigos somos. pelo contrário, históricamente, temos sido amigos bastante próximos.

Portanto, fica aqui minha iniciativa do retorno pleno da amizade, aos moldes do que era antes desse infeliz episódio, e que possamos nos aprofundar nela ainda mais, pois a vida do homem neste planeta é deveras curta, breve demais. As razões humanas são efêmeras para se criar inimizades com quem não merece, e principalmente para quem tem os mesmos princípios de gosto e de direcionamento. Eu jamais gostaria de ter de levar alguma inimizade ao túmulo, especialmente em se tratando de pessoas que tanto admiro, como a Claude, a Socorro e a Edilma.

Fica aqui o meu convite à PAZ, a oportunidade de uma chance à amizade, ao amor e ao carinho, que jamais deveria ter sido interrompido. Como disse no início do artigo, o mundo jaz em guerras, em ódios e em vingança. Que não se ponha o sol sob a ira das pessoas. No mundo, já há muito ódio entre os inimigos, para que se nutra ainda mais ( e sem qualquer razão forte ), algum ódio pelas pessoas que a gente ama.

Aguardo as respostas e o retorno de Claude Bloc, Socorro Moreira e Edilma Saraiva.
O meu registro será publicado em vários Blogs e e-mails, como o meu gesto de amizade, em direção à paz. Espero contar com a simpatia de todas elas nesse gesto, e que seja conjunto, pois os nossos maiores tesouros estão em nosso coração. E quando não temos isso, nada temos nesta vida.

Abraços,

Dihelson Mendonça

sábado, 11 de julho de 2009

Tempo Feliz - Socorro Morira




Momento incidental .Encontro de velhos amigos , ainda pulsantes , e o show de Roberto Carlos 50 anos.
Entre amigos , apenas risos.
Roberto e Erasmo , arrancando-me lágrimas. Essa qualidade de afeto tão viva , revalida meu entusiasmo de vida.
Semana de Exposição do Crato. Tempo em que as saudades ficam no ócio, desaparecem , ficam tranficadas , nem sei por onde ...
O telefone é insistente , e os eventos sucedem-se... Seja na praça, na calçada, na sala ou no batente de casa.
Todo mundo do mesmo jeito , apenas iluminadamente grisalhos . Todo mundo feliz , sem contar dores, nem segredos...Apenas vivendo o mistério de um novo tempo. Todo mundo confiante , aberto ... Todo mundo trocando carinhos e os códigos de uma época.
Sinto o choro da emoção , nesse momento da noite. A gente cantando as mesmas canções, rindo à toa , de bobeira (Ô coisa boa !)...
Tão bem viver sempre , e sempre , ao longo dos anos que parecem curtos.
Engraçado ... Todo mundo virou irmão.
Contávamos com essa família dispersa ?
Descobrir que a lembrança agrega é fato significadamente consumado !
Se a gente merecia ou não essa graça, não sei ... Mas a padroeira do Crato decidiu nos concedê-la !


Tempo feliz

Composição: Vinicius de Moraes / Baden Powell/Cartola


Feliz o tempo que passou, passou

Tempo tão cheio de recordações

Tantas canções ele deixou, deixou

Trazendo paz a tantos corações

Que sons mais lindos tinha pelo ar

Que alegria de viver

Ah, meu amor, que tristeza me dá

Vendo o dia querendo amanhecer

E ninguém cantar
Mas, meu bem

Deixa estar, tempo vai

Tempo vem

E quando um dia esse tempo voltar

Eu nem quero pensar no que vai ser

Até o sol raiar



- E esse tempo voltou , por um tempo que não deseja passar ...

Ma Vie- Alain Barrière


Flores de Laranjeira - Por : Claude Bloc



Pareces nem me reconhecer quando entro. “Cheguei”, e é tudo quanto consegues dizer porque a emoção te prende a voz. Prendes-me também num abraço interminável… Permaneço impassível. Não consigo pensar, mover-me, retribuir teu gesto desolado e amarrotado de saudade. Sempre quis te encontrar, simples assim. Sempre quis. Te busquei na memória tantas vezes e outras tantas colhi teu sorriso (quando perdia as esperanças) nos escritos do meu diário.
.
Lá tu sempre estavas. Belo e amigável como nas horas em que te vinculei como fogo indelével às minhas lembranças. Enfim, chegaste. E ali permanecemos, juntos, envoltos no aroma de flor de laranjeira que, do quintal, invadia a casa. Os pardais nos tocaiavam sem entender a novidade.
.
O chão, então, pareceu cobrir-se de um tapete perfumado de flor de laranjeira. Passeei sobre ele. Os ramos das laranjeiras estavam agitados, agitados os sentimentos que me perpassavam. Lembro-me de tudo. De minhas vãs tentativas de te encontrar. Repeti tantas vezes o teu nome, entrelacei-o ao meu tentando sentir tua presença. Mas o tempo e a vida nos afastaram. E tu não conseguiste separar as coisas no seu devido tempo. Não soubeste acolher minhas palavras de desamparo, nem te esquivar dessa vida que levas encerrado nos espaços vazios de tua alma.
.
E no entanto cá estou, na penumbra à tua sombra. Desce sobre mim uma chuva de pétalas. Flor de laranjeira. As árvores oferecem os frutos carnudos aos nossos olhos…alguns nos ramos mais altos. Não consigo alcançá-los. Então pousas na minha página em branco. E novamente deixas escrito mais um verso. Tu e eu somos um só, a poesia, o poema.
.
Por Claude Bloc

F.Comme Femme


Por tais momentos dessas mulheres poetas ... - José do Vale Pinheiro Feitosa



E dos espaços brotaram tristezas,

Pingos das manhãs orvalhadas,

de iluminação efêmera,

dos momentos fugazes.


Meninas que há de tanto?

Esgotamento de estoque,

de vencimento,

Badaladas de partida.
E os sertões?


No ,Solitário,Silencioso,

E depois renasce.
Não poderia algo assim,

Sem certezas de sustentação,

Muito do que se retira,

Como regra da aridez?


O éden fica ao norte do nada,

alegria nesta roda de bambas,

canto nos contrafortes da alma,

E a poesia nos átomos da respiração.


Meninas,

Não segures a cauda do amanhã,

Basta a cela desta jornada,

destino o sonho da pausa,

se levante houver,

Nascerá qual primeira das manhãs.




José do Vale Pinheiro Feitosa

O ciúme no ponto negro de Caetano - José do Vale Pinheio Feitosa



Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
ó vigia um ponto negro: o meu ciúme

Existem canções, ou poesias, ou imagens que são paradoxais: explodem no coração tão universais como se todos compreendessem igual, ao mesmo tempo que trazem experiências pessoais que nem o compositor imaginou. Feito desde a primeira vez em que ouvi a música “O Ciúme” de Caetano Velloso.
Seguramente a Bahia litorânea de Caetano não era a minha, mas Juazeiro e Petrolina eram, mesmo sendo esta pernambucana. Como os amores que atordoaram minha incompletude em plena Ilha do Fogo. Ou na Praça da Matriz, na Rua da Apolo, um acarajé no fim de tarde.

O ciúme lançou sua flecha preta
E acertou no meio exato da garganta
Quem nem alegre nem triste nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta
Velho Chico vens de Minas

E a primeira vez que a ouvi ou pelo menos prestei atenção na sua letra foi pela voz de Maria Bethania em disco não tão remoto no tempo. Mas o ciúme veio de longe, pelo leito do São Francisco desde as alterosas do sudeste, no planalto da Serra da Canastra.

De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu só, eu
Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde

O ciúme, gêiser inesperado de águas geladas, cortantes como navalha de congelador. Misterioso como as serras de Minas, ensimesmadas numa cadeia de centenas de quilômetros, tão volumosas como o próprio oculto do ciúme. Tão exuberantes como o espontâneo do amor.

Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê
Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme

E Juazeiro me era um contínuo desde o curtume até a loja de couros. Camurças, solas, solados. Esticada película de um mundo em transformação, tão corrente como as águas do rio, mas tão permanentes como a ponte que ainda hoje é.

Por: José do Vale Pinheiro Feitosa

Gérbera - Socorro Moreira


(Para um casal de amigos)


Um dia nos chegamos
assustados, hesitantes ...
dançamos todas as valsas
afora , o tempo e as lembranças.

Sem dizer, e sem fazer ...
casávamos em pensamento
Bilhete de amor guardado
soneto de amor molhado
nas plumas do travesseiro.

Um dia a carta era verso
e o anverso foi distante
perdeu-se numa estrada,
incendiou-se num canto...

Estrada de muitas curvas ,
com montes e matagais...
cresceram flores e ervas
cresceram dores,quimeras
mas no enlevo do amor ...
É a gérbera que floresce !

Outro dia ,
uma luz os salvou
era tarde
era dia, e
tudo se renovou.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

C'est Ma Vie - Salvatore Adamo

http://www.youtube.com/watch?v=KduEKfiWsjk&feature=related

Curiosidade - Dia da Pizza




A Fama dos Espósito correu a Itália e fez com que o Rei Umberto I realizasse uma verdadeira operação de guerra para trazer à cozinha do palácio o casal Espósito para que preparassem para a Rainha Margherita de Sabóia, uma pizza, que acabara de inventar, com sabor do manjericão, sobre a massa coberta por mussarela e rodelas de tomate.
O encantamento da Rainha pela pizza acabou determinando o nome de Margherita para aquele tipo de recheio. PortAlba foi a primeira pizzaria de que se tem registro. Surgiu em Nápoles em 1830. A partir daí se disseminou pelas regiões vizinhas e ganhou o mundo com os navios dos imigrantes italianos.
No Brasil, até os anos 50, as pizzarias eram uma exclusividade das colônias italianas e seus redutos. A partir daí elas se disseminaram por todo o país até se transformarem, nos dias atuais, num dos mais saborosos pratos de nossa culinária.
Nossa pizzaria se inspira nestes registros da história da pizza, para manter a tradição na produção artesanal de pizzas, assadas em forno à lenha, com produtos de qualidade.



www.chicopizzas.com.br/historia.htm

Zabumbeiros Cariri - É coisa nossa !


Música de raiz. Energia contagiante !
(Foto Sandra Lacerda)



"A malota era um saco e o cadeado era um nó".
- O palco é um pau-de-arara.
(Foto : Sandra Lacerda)




Luciano Brayner. Sensibilidade musical. Belo vocal , lindo instrumental.
Foto : Tânia Peixoto



Amélia e Luciano. Referências da música caririense.
Amélia é tocante, cantante e dançante. Linda presença !
Foto: Tânia Peixoto.
Sou fã do trabalho persistente, criativo ,e de notável importância dos ZABUMBEIROS CARIRI.