
Na minha infância , dançar Carnaval era pecado mortal . Meu pai comprava lança-perfume , e a gente aspergia no povo da rua , até o tubo secar ... Até o cheiro ficar fora do ar !
Os corsos eram fantásticos. Corria para as esquinas...Era o desenho animado dos meus contos de fadas! Nos jipes e automóveis sem capotas, cabia mais gente, do que se podia contar!Máscaras... Elas permitiam a mistura, no mesmo espaço , de moças de vida presa , e moças de vida fácil...Achava o máximo!
Na década de 60, já adolescente ,Carnaval continuou proibido...Fugia para a concentração dos blocos,nas calçadas.Suspirava de vontade de brincar , mas só podia cantar e dançar um frevo , se pudesse imaginá-l0 !
Em 70,80...participei dos meus primeiros bailes ,no Crato Ténis Clube.Meu pai, por anos seguidos,foi Diretor Artístico , e cabia-lhe a missão de decorar o clube .Pintava todas as paredes com imagens de colombinas , pierrôs , arlequins , ciganas,piratas... e o diabo a 4!
Ficava lindo!Era muito bom dançar com todos, e não ficar com nenhum!
Geralmente, debaixo de chuva,na quarta-feira de cinzas, acompanhávamos a orquestra até a Praça Siqueira Campos, dançando e cantando a marcha da quarta-feira ingrata, que chegara depressa demais!
Depois, ainda de fantasia, entrávamos na Igreja pra receber a " cinza". Nosso lado profano fora alimentado, até os pés ficarem cheios de calos, e a voz rouca, sem proferir som algum.
"Saudade/ é isso que a gente sente/saudade/é falta que faz a gente/alguém que partiu/alguém que morreu/alguém que o coração não esqueceu..."
Pois é...Carnaval comum, nos dias de hoje é ficar plantada na frente da televisão, e assistir o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.
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