
Omar chegou do mar
Voz embriagada de sal
Olhar de cobiça
Corpo ouriçado
pronto pra amar
Passou tanto tempo ...
Mas voltou amante ...
Disse que me amara
Todos esses anos !
Eu morri de susto ...
Que boa ventura ,
um amor voltando !
Repasse de músicas
de versos e falas
tudo rebuscado
no que já ficara ...
Nosso labirinto
hoje é nosso encontro
Promessas vencidas
são revalidadas
Sussurros contidos ,
em gritos de espanto ...
Um amor urgente
como um telegrama !

Amália não cantava fados ,
Nem lembrava fadas
Era apenas uma mulher astuta
Com unhas de bruxa ...
Esmalte escarlate !
Tinha pretume nas madeixas brancas
Um olhar de dama ,
um jeito cigano ...
Nos seus adereços,
que brilhavam tanto ,
sempre aconteciam ser desprateados !
Amália era como Dália ...
Uma donzela que não foi casada
Numa espera vã , bordou seus lençóis ...
Que amarelados enrolam seus sonhos
Há 50 anos !
Gilda
Vive o contar das horas ...
Ouvidos ligados ,
no tocar dos sinos ...
Enlouquecida ,
só espera a morte !
Já correu no tempo
com olhar bandido ...
Hoje já dispensa ,
um tal de destino ...
Se enrosca no leito ,
amassa o travesseiro,
e vive no futuro ,
sempre tão menino !
Nenhum comentário:
Postar um comentário